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Fraud Prevention

Da operação contra bets às novas exigências do Banco Central: por que o monitoramento contínuo se tornou prioridade para o mercado financeiro

Operação contra Bets Ilegais no Brasil: impactos para fintechs e instituições financeiras

Durante muito tempo, prevenção à fraude significava impedir que contas falsas fossem abertas

Esse modelo já não responde aos desafios atuais do mercado financeiro brasileiro. A recente operação do Governo Federal contra plataformas ilegais de apostas mostrou que o foco das autoridades mudou: hoje, não basta validar quem entra no sistema. É preciso acompanhar continuamente como ele se comporta. 

A operação conduzida pelo Governo Federal em junho de 2026 chamou atenção pelo tamanho: mais de 40 mil sites ilegais de apostas identificados, centenas de operadores clandestinos e uma rede de instituições utilizada para movimentar recursos financeiros.

Mas o ponto mais importante não foi a quantidade de sites bloqueados. Foi a mensagem enviada ao mercado. Pela primeira vez, ficou evidente que a responsabilização das autoridades não se limita mais a quem pratica a atividade ilegal. Ela também alcança quem processa, movimenta ou facilita essas transações. 

Para bancos, fintechs, instituições de pagamento e demais participantes do ecossistema financeiro, isso representa uma mudança importante. Prevenção à fraude e monitoramento AML deixam de ser apenas requisitos de compliance e passam a fazer parte da estratégia de gestão de risco da operação.

A operação mostrou um novo padrão de atuação do regulador

  • Mais de 40 mil sites ilegais de apostas identificados.
  • Uma estrutura composta por centenas de operadores clandestinos.
  • Instituições de pagamento utilizadas para movimentação financeira dessas operações.
  • Mais de 50 mil domínios ilegais bloqueados pela Anatel.
  • Prazo de 24 horas para bloqueio após notificação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).
  • Entrada em vigor das exigências previstas pela Resolução BCB nº 569/2026.

Independentemente do setor em que atuam, empresas que processam pagamentos instantâneos precisam estar preparadas para responder rapidamente às exigências regulatórias.

O modelo tradicional já não é suficiente

Durante muitos anos, a principal preocupação era impedir que uma conta fraudulenta fosse aberta. Por isso, grande parte dos investimentos em prevenção à fraude ficou concentrada no onboarding, com validação documental, biometria e verificação cadastral.

Esse modelo continua sendo importante. Mas ele deixou de ser suficiente. Hoje, o desafio não é apenas saber quem abriu uma conta. É entender quem está utilizando essa conta ao longo do tempo e identificar rapidamente mudanças de comportamento que possam indicar fraude, lavagem de dinheiro ou uso indevido. 

A popularização do Pix, a velocidade das transações e o crescimento das fraudes organizadas transformaram completamente esse cenário.

Por que isso importa para todo o mercado financeiro?

Existe um erro comum de acreditar que essa discussão interessa apenas às empresas do setor de apostas.

A Resolução BCB nº 569 reforça a necessidade de monitoramento contínuo e controles mais robustos para instituições que operam com grandes volumes de Pix, fortalecendo a prevenção à lavagem de dinheiro, ao financiamento ilícito e às fraudes financeiras.

Isso inclui:

  • Instituições de pagamento
  • Fintechs
  • Bancos digitais
  • PSPs
  • Adquirentes
  • Plataformas financeiras
  • Wallets
  • Empresas que operam pagamentos instantâneos

Em outras palavras, qualquer organização que participe da cadeia financeira precisa evoluir seus mecanismos de monitoramento.

A nova expectativa do regulador

A operação contra plataformas ilegais de apostas deixou claro que as expectativas sobre as instituições financeiras mudaram. Hoje, não basta apenas processar pagamentos. É preciso demonstrar capacidade para monitorar transações, identificar operações suspeitas e prevenir fraudes e lavagem de dinheiro de forma contínua.

Na prática, isso significa que empresas precisam ser capazes de identificar comportamentos suspeitos antes que o risco se concretize. Não basta registrar uma transação. É preciso compreender seu contexto. Uma movimentação incompatível com o histórico do usuário, um dispositivo acessando dezenas de contas diferentes ou um aumento repentino no volume financeiro podem representar sinais importantes quando analisados em conjunto. 

É justamente essa visão comportamental que passa a diferenciar operações maduras das que ainda trabalham apenas com regras estáticas.

Escrito pelo: Adriano Franki / CEO Brasil

Publicado:
July 6, 2026
Última actualización:
July 6, 2026

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